segunda-feira, 21 de abril de 2008
O DIREITO AMBIENTAL
Sávio Leão
Composição: Sávio Leão
domingo, 20 de abril de 2008
Membros do CEPACE *
Adital -
Sob a égide da "energia limpa" empresas eólicas causarão impacto ao meio ambiente e destruirão sítios arqueológicos milenares.
Durante realização de prospecção arqueológica de superfície na área destinada à construção de 3 (três) usinas eólicas da empresa Bons Ventos, localizadas no município de Aracati, entre a praia de Canoa Quebrada e a localidade do Cumbe, descobrimos 71 ocorrências arqueológicas, entre 53 sítios arqueológicos e 19 áreas vestigiais. Esta quantidade pode ser superior tendo em vista que este trabalho foi realizado no primeiro semestre quando os ventos são mais brandos na costa cearense. Um diagnóstico realizado na segunda metade do ano poderá duplicar a quantidade de sítios, tendo em vista que sob a ação dos alísios de SE, que remobilizam um volume maior de areia, sempre novos sítios são descobertos, conforme tivemos oportunidade de observar em outros trechos do litoral oeste.
As evidências atestam uma longa ocupação da zona estuarina do Jaguaribe, nosso principal recurso hídrico, iniciada por volta de 5000/6000 AP (Antes do Presente) quando a retomada paulatina da tropicalização na área litorânea transformou áreas inóspitas em ambientes privilegiados de ocupação. As ocupações dos arcaicos marisqueiros deste período inicial foram seguidas por ocupações de grupos ceramistas Tupi e Tapuias e, em momentos mais recentes, por instalações dos séculos XVIII e XIX. A diversidade verificada na cultura material atesta a confluência de etnias distintas que certamente disputavam os melhores sítios de coleta de moluscos e outros recursos marinhos.
Em virtude da expressiva quantidade de sítios detectada no local e da grande diversidade de vestígios, representada por adornos, fusos, pesos utilizados na atividade de pesca, vasilhas cerâmicas, instrumentos lascados, cachimbos, lâminas de machado polido, estes últimos só encontrados de forma descontextualizada em museus cearenses, nosso diagnóstico foi desfavorável à construção de qualquer empreendimento no local solicitando que a área fosse destinada a pesquisas acadêmicas sistemáticas.
Hoje nos preocupa o fato de que todo o litoral cearense, repleto de sítios arqueológicos em seus 573 quilômetros , esteja mapeado em vários pontos da sua extensão por empresas de energia eólica que sob a égide da "energia limpa" provocarão a destruição de sítios arqueológicos milenares.
Preocupa-nos também o fato de que, apesar do grande número de áreas arqueológicas já identificadas no Ceará, as pesquisas ainda sejam bastante incipientes, diferentemente do que ocorre em todos os outros estados do Brasil. Com isso, os vestígios deixados pelos antigos habitantes do território relacionado ao atual ainda não foram objeto de investigações contínuas por meio de elaboração de teses. Tal problemática tem a ver em grande escala com a falta de interesse das universidades públicas do Ceará (UFC, UECE, URCA, UVA) para com as pesquisas arqueológicas, que sendo uma atividade exclusivamente científica deve ser gerenciada pelas universidades e não por empresas particulares.
Desta forma, entendemos que os trabalhos de arqueologia no Ceará não podem restringir-se às intervenções emergenciais da arqueologia de salvamento, impondo-se a necessidade urgente de pesquisas arqueológicas acadêmicas para que tenhamos um maior aproveitamento das informações obtidas por meio de pesquisas que se estendam por um período mais longo. Como não contamos com pesquisas arqueológicas acadêmicas, a arqueologia cearense está entregue tão somente à arqueologia de salvamento. O nosso receio neste momento é que muitas informações sejam perdidas antes que tenhamos oportunidade de sistematizar estes estudos face às exigências dos grandes empreendimentos.
Posicionando-nos também contra o empreendimento das eólicas de Aracati, tendo em vista que o tempo necessário ao salvamento dos sítios arqueológicos seria inconciliável com os prazos propostos pelo empreendedores que pretendem entregar a obra em dezembro de 2008, inviabilizando qualquer atividade preliminar nos sítios antes da chegada das máquinas. Neste caso, seríamos obrigados tão somente a trabalhar em concomitância com a obra, procedimento este que seria desastroso para a salvaguarda do patrimônio arqueológico local.
Convém lembrar que em arqueologia de salvamento é comum proceder ao acompanhamento da obra para verificar a presença de vestígios em profundidade, porém em empreendimentos eólicos este procedimento é inviável, tendo em vista que as máquinas abrem verdadeiras crateras em áreas de sedimentos não consolidados (dunas). Isto não permite a visualização das estruturas e vestígios por parte do arqueólogo e por outro lado põe em risco a segurança do mesmo. Este aspecto é fundamental para lembrarmos a necessidade de estudos anteriores à construção de um empreendimento desta natureza.
O IPHAN do Ceará e de Brasília, representados pelos técnicos Olga Paiva e Rogério Dias, inclusive não aptos a dar um parecer arqueológico, tendo em vista não possuírem formação na área, desconsideraram nosso diagnóstico com receio de serem chamados para prestar contas com a Casa Civil da ministra atualmente posta na berlinda e oportunizaram a entrada de uma equipe na área para proceder apressadamente ao resgate arqueológico dos sítios, sem antes abrir uma discussão mais ampla sobre os nossos resultados. Discussão esta que deveria envolver a nossa equipe, um arqueólogo do IPHAN e outras instituições acadêmicas com tradição em arqueologia, como a USP e a UFPE, por exemplo, além das universidades locais e o Ministério Público, pois afinal de contas, as descobertas nos colocaram diante de uma situação excepcional, tendo em vista o significativo potencial da área e o grande impacto de construção deste empreendimento, erroneamente compreendido como mínimo.
Ampliando a nossa visão, entendemos também ser imperativa e emergencial uma ampla discussão acerca do impacto ambiental gerado pela construção das eólicas em áreas de preservação permanente (dunas e restingas - Resolução Conama 303/2002) vedadas ao uso econômico e caracterizadas pela intocabilidade (Resolução Conama 369/2006).
A construção provocará impacto aos campos de dunas móveis da região, um dos mais expressivos do Estado, fundamentais na dinâmica da zona costeira e no controle dos processos erosivos (Resolução Conama 341/2003).
No mais, a execução do empreendimento interferirá drasticamente na excepcional beleza cênica e paisagística das dunas do Cumbe, Barra do Aracati e Canoa Quebrada com a alocação de 67 aerogeradores (cataventos).
No tocante aos aspectos arqueológicos, vale lembrar ainda que o IPHAN recebeu um Plano de Resgate dos Sítios Arqueológicos elaborado pelo arqueólogo Walter Morales sem que ele e a sua equipe tivesse estado na área para visualizar as ocorrências, compreender a natureza dos processos de deposição e pós-deposição ali evidenciados, da distribuição espacial das ocorrências, para propor um cronograma e uma metodologia adequada. Da mesma forma, sem ter ainda postos os pés no local, a equipe teve um orçamento aprovado pela empresa responsável pelo empreendimento.
O que nos impressiona é que quando se é contratado por empresas públicas ou privadas para execução de trabalhos, uma das exigências primordiais, inclusive listada em editais, é que o contratado entregue declaração de que conhece a área, de que já esteve no local, correndo-se o risco de ser penalizado caso o conteúdo da informação não seja verdadeiro.Gostaríamos também de aproveitar esta oportunidade para sugerir que as universidades públicas cearenses (UECE, UFC, URCA,UVA) saiam da letargia em que se encontram na atualidade e assumam juntamente com a sociedade e os órgãos legais e culturais, a defesa do patrimônio arqueológico local que com os seus vestígios funcionam como um elo entre as sociedades passadas e atuais. Estas últimas devem ter acesso às informações acerca deste valioso bem cultural.
Verônica Viana (arqueóloga)Manuelina Duarte (arqueóloga)Valdeci Santos (arqueólogo)Karlla Soares (Historiadora)Luci Danielli A. de Sousa (Historiadora)Daniel Luna Machado (Historiador e Mestrando em Arqueologia)Igor Pedroza (graduando em história UECE)Cibele Nascimento (graduanda em história UECE)Integrantes do CEPACE - Centro de Pesquisas Arqueológicas do CearáCONTATOS: Verônica Viana - (85) 99125715
* Centro de Pesquisas Arqueológicas do Ceará
O jornalista Egídio Serpa publica em sua coluna do jornal DIARIO DO NORDESTE, a seguinte informação: "Desembarcarão amanhã no porto do Mucuripe os primeiros sete de cerca de 80 geradores de energia eólica encomandados pela empresa portuguesa HLC.Fabricados pela indiana SUZLON com tecnologia dinamarquesa,cada um desses geradores produzirá 2,1 MW...Os sete geradores serão instalados nas praias de Aracati:dois em Lagoa do Mato e cinco em Canoa Quebrada.Em dezembro, esses geradores entrarão em operção.Os portugueses da HLC foram autorizados pela ANAEEL a produzir 250 MW de energia eólica no litoral cearense.O governador Cid Gomes confirmou que estará,pessoalmente,presente o desembarque".
http://aracati.net/pma/index.php?option=com_content&task=view&id=88&Itemid=36
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
AGRESSÃO AO MEIO AMBIENTE NO LITORAL DO ARACATI - CE
DESTAQUE: Trabalho Fotográfico

TEMA: AGRESSÃO AO MEIO AMBIENTE NO LITORAL DO ARACATI - CE
LOCAL: Aracati - CE

A costa do sol nascente no litoral leste do estado do Ceará compreende alguns municípios e também algumas comunidades costeiras, alem da desembocadura (foz) do Rio Jaguaribe importante recurso hídrico do estado.A cidade de Aracati, sua pequena comunidade de Canoa Quebrada e ainda o Rio Jaguaribe formam elementos paisagísticos de primeira grandeza.A praia de Canoa Quebrada, principal roteiro turístico do litoral leste é mundialmente conhecida por suas paisagens paradisíacas, dunas, falésias, vegetação e mar de águas verdes cálidas está distante 156 km de Fortaleza e encanta a todos que a visitam.Ponto de referencia turístico do estado, destaca-se ainda na região a deslumbrante paisagem do Rio Jaguaribe com suas matas ciliares, manguezais e mata de carnaúba.Contudo nas últimas três décadas a referida região e seu meio ambiente vêm sendo agredidos, atividade turística sem planejamento, construções irregulares, desmatamento, queimadas, destruição dos mangues, poluição do rio e seus afluentes, aplainamento e super ocupação de dunas, e construções irregulares, ações predatórias que ameaçam toda a paisagem local.A atividade turística no município de Aracati e mais especificamente nas áreas litorâneas, transformou a natureza do lugar e também a vida da população local que passou a conviver com uma realidade muitas vezes conflituosa.A falta de respeito em relação às questões culturais e ambientais leva à perda e a deteriorização dos recursos naturais, prejuízo da qualidade de vida da população local, alteração dos costumes da população receptora. Com a degradação do meio ambiente ao longo dos anos, despertou o meu interesse de fazer este trabalho no município de Aracati, que em algumas visitas vejo os descasos feitos à fauna e flora daquela região.
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Levar mais qualidade de vida e contribuir para preservar o meio ambiente. Esses foram os dois principais benefícios do Programa Sanear II que a Cagece apresentou aos 220 participantes do Seminário sobre Saneamento Básico realizado, ontem, dia 21, em Aracati de 7h30min às 13 horas, no Centro Vocacional e Tecnológico.
Levar mais qualidade de vida e contribuir para preservar o meio ambiente. Esses foram os dois principais benefícios do Programa Sanear II que a Cagece apresentou aos 220 participantes do Seminário sobre Saneamento Básico realizado, ontem, dia 21, em Aracati de 7h30min às 13 horas, no Centro Vocacional e Tecnológico. Houve debate sobre o tema. No município, a Cagece vai ampliar o Sistema de Abastecimento de Água (SAA) investindo R$ 17.180.529,43 em 1868 ligações e 44.669,21 metros de rede. Também irá executar um Sistema de Esgotamento Sanitário (SES) com recursos de R$ 14.809.363,37 os quais serão revertidos em 5.940 ligações domiciliares e 41.189 metros de rede.
O Prefeito da cidade Expedito Ferreira da Costa abriu o evento, dizendo que o principal benefício conquistado pelo município com as obras será o atendimento a 100% da população com abastecimento de água. Ele afirmou que a Prefeitura estará à disposição da Cagece para qualquer ajuda durante as obras e agradeceu à Cagece não somente pelo Sanear II, mas por ter solucionado a falta d’água que costumava ocorrer durante o período momino.
O Gerente da Unidade de Negócio Bacia do Baixo e Médio Jaguaribe (UNBBJ/ Russas) João Batista Araújo fez a apresentação institucional da Cagece e disse que as obras do Programa Sanear II vão “trazer tranqüilidade para a cidade de Aracati”. Segundo ele, “a cidade terá abastecimento garantido para os próximos 30 anos”. O Gerente também elogiou do sistema de esgoto, porque irá acabar com o esgoto correndo a céu aberto pelas ruas e diminuir as despesas com saúde pública, coletando e tratando o esgoto do município. Ele esclareceu também a diferença entre esgotamento sanitário e drenagem urbana.Em suas considerações finais, o Gerente de Concessões e Interação Social Miguel Vasconcelos explicou que a Cagece está realizando um novo estudo tarifário tendo como foco atender à população de baixa renda ampliando a tarifa social. Ele lembrou que a água é um bem finito pelo qual todos devem zelar. Ele apelou para que os moradores recebam bem as equipes sociais da Cagece e afirmou que a Companhia estará sempre aberta aos clientes.Na programação do Seminário, na primeira parte, houve apresentação do Programa Sanear II pela Supervisora Técnica da UGP Sanear II Jackeline Sales. Em seguida, houve apresentação do SAA e SES já existentes no município pelo Encarregado de Núcleo William Silva Barbosa. Também foi apresentado o Projeto Técnico dos SAA e SES a serem executados pelo Sanear II pelo Gerente de Obras do Interior Ernandes Freire. A Supervisora Sócio-Ambiental Rosana Fernandes fez uma explanação sobre os Programas Sócio-ambientais do Programa.
Na segunda parte da Programação, a Supervisora de Controle Ambiental Cláudia Caixeta falou aos presentes sobre preservação ambiental e do patrimônio histórico, artístico e cultural. O plano de Comunicação e Interação Social foi apresentado por Márcia Bedê da Gerência de Concessão e Interação.
A atuação da Câmara Municipal de Aracati no século XVIII
Por Maria Edivani Silva Barbosa
11 de fevereiro de 2008
Prédio sede da Câmara Municipal de Aracati.No período colonial, a Câmara Municipal, representava o poder local das vilas. Os vereadores eram escolhidos por período trienal. Depois de eleitos, os "homens bons", nomeavam os juizes que auxiliavam na administração da vila. Das várias atribuições, estava aquela relacionada à legislação do meio ambiente.Na Vila de Santa Cruz do Aracati (atual cidade de Aracati), a Câmara Municipal sempre esteve atenta aos problemas locais. Documentos históricos dão conta da atuação desses "homens bons" que procuravam regulamentar o uso e ocupação do solo urbano no referido período. Assim, procuravam inibir as práticas econômicas que colocavam em risco a natureza e a própria saúde da população.
Um dos problemas ambientais ocorrido no século XVIII se refere ao assoreamento do rio Jaguaribe. Além das ações naturais como os ventos, as correntes oceânicas, que impeliam os bancos de areia para a sua foz, obstruindo os canais de entrada dos navios e barcos, outras atividades, como por exemplo, os currais de pescaria contribuíam para estreitar o leito do rio.Em uma Ata da Câmara, datada em lº de setembro de 1785, o vereador Antônio Pereira de Carvalho, se opôs a que o senado da Câmara concedesse licença para levantar currais de peixe no rio Jaguaribe, sob a alegação de que tais currais estavam obstruindo o leito do rio.A Câmara também se fez presente quando da implantação das charqueadas. Conforme consta no Auto da Audiência Geral de 12 de fevereiro de 1781, a Câmara Municipal exigiu a retirada das oficinas de carne (charqueadas) da rua central, como forma de aliviar a população dos incômodos provocados pelas oficinas. Alegavam ainda que as oficinas estavam "desfigurando a beleza e arruinando a saúde pública desta Vila". O local indicado pela Câmara para instalar as oficinas deveria ficar no terreno que ia da "Oficina do Salvador", próximo à Ilha dos Veados, por ficar mais próximo do ancoradouro dos barcos e mais distante das ruas principais da Vila.Diante do que foi exposto, podemos entender agora porque os primeiros filhos da "terra aracatiense" eram considerados, na época, segundo o historiador João Brígido, "a gente mais civilizada do Ceará. Um homem do Aracati, por isto só que era do Aracati, podia meter a cara em qualquer negócio, e colocava-se no primeiro plano em toda parte onde chegava".A preocupação com o meio ambiente, numa época de tão poucos recursos, mostra como os primeiros aracatienses, do ponto de vista da consciência ambiental, estavam muito à frente de sua época. O que diriam os "homens bons" diante da devastação das nossas matas ciliares (os carnaubais em especial) e poluição das águas do rio em nome do crescimento econômico proveniente da carcinicultura (criação de camarão em cativeiro)? O que fariam os "homens bons" diante da inércia desta sociedade dita "civilizada"?Maria Edivani Silva BarbosaMestra em Geografia pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Professora substituta do curso de geografia da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (FAFIDAM/UECE) em Limoeiro do Norte-CE.
Fonte: Informativo do Centro Aracatiense. Ano VII- Nº XXVII - Outubro - Novembro - Dezembro de 2006.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Meio Ambiente.
Adaptado de Fritjof Capra
Uma ética ecológica profunda faz-se urgente hoje, especialmente na ciência, já que a maior parte daquilo que os cientistas estão fazendo não preserva a natureza, mas a destrói:
Físicos criam armas que ameaçam varrer a vida do planeta; químicos contaminam o meio ambiente; biólogos criam novos e desconhecidos microrganismos sem medir as conseqüências; cientistas torturam animais em nome do progresso científico. Com todas essas atividades em marcha, é claro como a luz do dia que introduzir padrões éticos na ciência moderna é mais do que urgente. Precisamos estar dispostos a questionar tudo e abandonar a busca cega de crescimento irrestrito. Uma sociedade sustentável é aquela que não reduz as oportunidades das futuras gerações.
A terra é nosso lar comum e criar um mundo sustentávelpara nossos filhos e para as futuras geraçõesé tarefa de todos nós.
Educaçao Ambiental.
O Departamento de Educação Ambiental foi instituído no Ministério do Meio Ambiente - MMA em 1999 para desenvolver ações a partir das diretrizes definidas pela Lei n° 9.795/99, que estabelece a Política Nacional de Educação Ambiental.
A regulamentação da Lei n° 9.795/99 define que a coordenação da Política Nacional de Educação ficará a cargo de um Órgão Gestor dirigido pelos Ministros de Estado do Meio Ambiente e da Educação.
De acordo com a Portaria n° 268 de 26/06/2003, o Departamento de Educação Ambiental representa o MMA junto ao Órgão Gestor.
A missão do Departamento é estimular a ampliação e o aprofundamento da educação ambiental em todos os municípios e setores do país, contribuindo para a construção de territórios sustentáveis e pessoas atuantes e felizes.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
o carnaval do caranguejo uça
RICARDO BRAGA é ambientalista, professor da UFPE e ex-secretário executivo de meio ambiente de Pernambuco
Para muitos, o Carnaval começa com um gole de cachaça ou de cerveja, caranguejo, um dengo de namoro e as ruas inteiras para brincar. Depois vêm os blocos caranguejo-no-caçuá, guaiamum-treloso, siri-na-lata..., parece que nunca vai acabar.
O caranguejo-uçá também tem o seu Carnaval, mesmo longe das goladas de cachaça. A maré alta de fevereiro, o reboliço na toca de lama, o alvoroço pra namorar e a andada solta, ganhando o apicum nas bordas do manguezal. É o Carnaval, no dito dos pescadores do mangue, dos apanhadores de caranguejo.
O caranguejo-uçá, da espécie Ucides cordata, é um conhecido da nossa cultura litorânea. Às vezes, se diz que alguém só anda pra trás, como caranguejo, numa injusta alusão a quem anda mesmo é de lado. Ele vive nos manguezais da Flórida, da América Central e do Brasil, indo até Santa Catarina. Mas é no Nordeste que é prato símbolo, cozinhado com sal, verdura de cheiro e às vezes leite de coco.
Costuma-se dizer que caranguejo só está gordo nos meses que tem r. Tem lógica. De maio a agosto ele entoca na lama e cobre a entrada, quando se diz que está tapado. Aí se alimenta e engorda, para enfrentar a próxima etapa. Nessa fase, é apanhado na toca pelo homem do mangue ou pelo guaxinim. Mas de setembro a novembro já está em muda, ou ecdise, substituindo a carapaça para crescer. Em dezembro faz “espuma” e no início do ano aparece de andada, para acasalar, em carnaval.
Vê-se que a festa dos humanos tem semelhanças com a do uçá. Mas, enquanto a nossa se expande, os seres do mangue diminuem em população e poucos chegam a experimentar as delícias prosaicas e profanas. A pesca predatória e a degradação dos mangues levaram a uma crise de produção em vários estados, entre eles Pernambuco. Além disso, a Doença do Caranguejo Letárgico, que apareceu por aqui em 1997 e chegou ao Espírito Santo há dois anos, está dizimando os caranguejos brasileiros, sobretudo em ambientes mais agredidos pela poluição.
Hoje, ainda existe grande produção no Pará, Maranhão e Piauí. Na foz do rio Parnaíba, que se expande no mar em fantástico delta com mais de 70 ilhas e de dunas com lagunas de água doce, vi centenas de homens trabalhando pesado, na apanha dos milhões de caranguejos por ano. Vendem cada corda por valor irrisório, para consumo nas capitais por preço infinitamente maior. São, simultaneamente, cúmplices da dizimação dos estoques e vítimas da exploração pelos atravessadores.
Foliões ou não, precisamos salvar o Carnaval do caranguejo-uçá. Para isso é necessário, pelo menos, não capturar ou comprar: fêmeas (principalmente ovadas), caranguejos de andada e adultos menores que 5 cm. É fundamental também preservar o manguezal da ganância dos criadores de camarão e da poluição industrial e doméstica. Ou seja, lutar para que esse ecossistema se mantenha protegido e na sua condição produtiva.
Só assim, os próximos carnavais poderão começar com um gole de cachaça, um caranguejo e um dengo de namoro..., de andada até à quarta de cinzas, que não tarda a chegar.
ricardobraga.jc@gmail.com
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Aquecimento Global.
Processo é uma das mais tristes faces do aquecimento global. Foto: Marco Pozzana
http://www.meioambienteurgente.blogger.com.br/
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
POEMA DE PESCADORES
As/Os pescadoras e pescadores presentes no Seminário Manguezal e Vida comunitária recitaram belos poemas e cantaram pela vida dos mangues.
Toninho de Alagoas
O Seminário Manguezal e Vida Comunitária foi um importante momento de afirmação da defesa dos manguezais, pelas comunidades participantes. Além dos debates, relatos e estudos, o Seminário foi o momento de expressão dos povos das águas onde a música e a poesia marcaram presença. Os poemas, transcritos a seguir, foram recebidos com muitos aplausos pela platéia presente.Lamentação do Manguezal Eu sou o mangue!Antes eu era verdinha, verdinha e muito.Me chamavam de manguezalPorque, além de ser bonito, também crio produtos de várias espécies. A lama negra em que eu penetro, essa também faz parte de mim, As gamboas que correm dentro de mim, as ilhas e apicuns:Todos esses companheiros me ajudam a criar meus produtos. Então, juntos, formamos uma só natureza, ue damos vidas a outras vidas.Nós não viemos ao mundo por acaso.Como nosso Criador dos céus e das terras, não existe outro.Sou mangue!Também tenho sentimento como um se vivo da face da terra.Hoje confesso que não tenho mais prazer de viver desta forma em que o homem está fazendo comigo.Vivo totalmente arrasado, como se fosse um lago quando seca as águas, Como se fosse um pássaro quando cai as penas.Quem me via antes sorria.Quem me ver hoje chora.Quase não dou mais sobra; estou amarelandoSinto chamas de fogo subindo em mimMinhas raízes são arrancadas pelo tronco com tratores,Meu produto está se consumindo.Sinto minhas folhas cair no chãoComo se fosse as lágrimas que caem no rosto de uma criança quando choraO homem tenta controlar a ciência, a tecnologia, a natureza e ele mesmo destrói!Então, vê se me entende o que em mim se cria. Afinal sou mangue!Sou uma das fontes de alimentos mais importante da face da terra. Jamais, Homem, tu que me destrói terá a chance de me fazer novamente!Porque quem me fez, te fez também;E estou pronto para matar a tua fome!(Pescadora Maria do Livramento Santos – Mentinha da comunidade Curral Velho, Acaraú, CE)(Poema de Toninho de Alagoas)
http://www.terramar.org.br/oktiva.net/1320/nota/18812
ARRASTO DE CAMARÃO MATA PEIXES-BOIS NO CEARÁ.
Foto: Aquasis Pelo menos 4 peixes-bois marinhos (Trichechus manatus manatus) morreram nos últimos 6 anos, vítimas de asfixia em redes de pesca de arrasto motorizado de camarão no litoral leste do Ceará. É o que constatou a AQUASIS – Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos, organização sem-fins lucrativos que atua na preservação da espécie no litoral do Ceará.
A princípio, este pode ser um número considerado pequeno, no entanto, ele toma proporções dramáticas diante do estado de conservação da espécie no Brasil. O peixe-boi marinho é uma espécie que possui menos de 500 indivíduos vivendo na natureza – de acordo com estimativas do IBAMA – distribuídos de forma descontínua ao longo da zona costeira das regiões Norte e Nordeste do Brasil, sendo considerada regionalmente desaparecida do litoral da Bahia e Espírito Santo. A espécie se reproduz lentamente, tendo um único filhote (raramente dois) a cada três ou quatro anos. O filhote é totalmente dependente da mãe durante os dois primeiros anos de vida.
Soma-se a isso o fato de que a sua principal área de reprodução, o manguezal, encontra-se seriamente comprometida pela ocupação indiscriminada, principalmente na região Nordeste do Brasil. O comprometimento das áreas de manguezal tem levado as fêmeas de peixe-boi a terem seus filhotes no mar. Muitas vezes, o filhote recém-nascido, ainda fraco e inexperiente, é separado da mãe devido a ventos e correntes, encalhando posteriormente na praia e vindo a morrer, caso não seja resgatado. Esse tipo de problema é observado com mais intensidade na zona costeira dos municípios de Beberibe, Aracati e Icapuí e na região oeste do litoral potiguar.
http://www.terramar.org.br/oktiva.net/1320/nota/18027
Fonte: AquasisCristine Pereira negrão SilvaDiretora-Presidente da AQUASISLinha Direta para denúncias ou encalhesrelacionados a mamíferos marinhos:(85)3318-6011/
O I Encontro da Rede MangueMar Brasil ocorreu em dezembro de 2007 no distrito de Acupe, em Santo Amaro (BA), reunindo 50 pessoas, entre pescadores, ONGs e pesquisadores, oriundos de 13 estados da costa brasileira. O Encontro consolidou a criação da Rede MangueMar Brasil.
O I Encontro da Rede MangueMar Brasil ocorreu entre os dias 10 e 13 de dezembro no distrito de Acupe, em Santo Amaro (BA), reunindo 50 pessoas, entre pescadores, ONGs e pesquisadores, oriundos de 13 estados da costa brasileira ( Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Este Encontro consolidou a criação da Rede MangueMar Brasil. O processo de construção da Rede Mangue Mar Brasil começou no ano de 2001, quando movimentos de pescadores, ONGs e pesquisadores começaram a trabalhar em rede em defesa dos povos do mar e dos ambientes marinhos, manguezais e restingas da costa brasileira. A luta contra a carcinicultura na Bahia e no Ceará são exemplos bem sucedidos dos potenciais transformadores da ação em rede. pescadores e marisqueiras que participaram do seminário Nas Mãos dos Pescadores em 2003 no Ceará, onde obtiveram conhecimentos mais profundos sobre carcinicultura, voltaram para as comunidades e transmitiram o que aprenderam com RedManglar Internacional – articulação internacional em defesa dos manguezais e populações tradicionais.
FIQUEM DE OLHO
NESSES ULTIMOS DIAS, SEGUNDO ALGUNS PESCADORES, NO NOSSO RIO JAGUARIBE(ARACATI) TEM APARECIDO VARIOS PATOS DO MAR...VAMOS FICAR ATENTO, PARA QUE SEJAM ,MAS UMA ESPECIE PARA ENTRAR NA LISTA DE EXTINÇAO.
TAMBEM NO DIA 09/01/2008, PESCADORES INFORMARAM DO APARECIMENTO DE UMA TARTARUGA GIGANTE NAS PROXIMIDADES DO PORTO DO BICO DE PEDRA, INFORMARAM AINDA, QUE LIGARAM PARA O IBAMA MAS NEM UMA PROVIDENCIA FOI TOMADA, E PRA REFORÇAR A PREOCUPAÇAO OS FILHOS DO MANGUE, TAMBEM COMUNICOU AO ORGÃO COMPETEMTE.
EM BREVE NOVAS INFORMAÇÕES.
sábado, 5 de janeiro de 2008
TURBINAS SERAO TRANSFERIDAS
http://www.conpam.ce.gov.br/noticias/noticias1.asp?cod=23